UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
"JÚLIO DE MESQUITA FILHO"

Faculdade de Ciências e Letras - Campus de Araraquara
  Agenda Pós-Graduação - Educação Escolar

Aluno(a) Andréa Maturano Longarezi
Titulo Os sentidos da indisciplina na escola: concepções de professores, equipe técnica e alunos das série finais do ensino fundamental
Orientador(a)
Data 28/08/2001
Resumo A pesquisa procurou identificar o(s) sentido(s) atribuído(s) à problemática da indisciplina no discurso dos principais agentes do processo educativo na escola, bem como observar a sua manifestação em práticas educativas concretas. O trabalho foi elaborado tendo em vista que os atos de violência presentes na escola vêm sendo indistinta e genericamente chamados, pelos agentes educativos, de indisciplina. Considerando o resultado de estudos recentes (como, por exemplo, De La Taille, 1998, e Puig Rovira, 1998) , que vêm associando o comportamento violento (caracterizado como indisciplinado) ao enfraquecimento do juízo moral, este trabalho fundamentou-se, sobretudo, nos estudos de Jean Piaget sobre o desenvolvimento da moralidade infantil. Para a realização da pesquisa optou-se por fazer um estudo de caso. Assim, foi selecionada uma classe de 6ª série do período da tarde de uma escola pública situada entre o centro e a periferia da cidade de Araraquara/SP que apresentava, segundo os professores e a direção, problemas de indisciplina. Foram feitas observações em sala de aula; aplicados questionários para os alunos dessa classe, para os professores responsáveis por ela e para a equipe técnica da escola; e foram feitas, ainda, entrevistas com o corpo docente e com o corpo técnico-administrativo. Os dados permitiram identificar, inicialmente, cinco tipos de transgressões de naturezas variáveis: 1) ativas: conversar, andar na sala de aula etc.; 2) passivas ou de fuga: não prestar atenção na aula, não fazer as atividades propostas etc.; 3) envolvendo valores éticos: mentir e roubar; 4) agressivas, destrutivas ou invasivas nas relações com o ambiente físico: sujar e/ou quebrar a sala de aula e a escola; 5) envolvendo violência oral ou corporal: ameaçar, agredir ou matar. Essas transgressões foram avaliadas ora como comportamentos indisciplinados, ora como comportamentos não-indisciplinados, com justificativas que julgaram os comportamentos dos alunos como: 1) obstáculos ao desenvolvimento da aula ou ao funcionamento da escola; 2) manifestação de traços do comportamento moral do alunos; 3) ausência ou desobediência a regras e/ou a limites estabelecidos; 4) expressão de traços de personalidade e/ou de caráter desviante; 5) expressão de hábito, direito, necessidade e/ou dificuldade; 6) respostas ao comportamento do outro e/ou ao ambiente; e 7) respostas às circunstâncias e/ou às pessoas, remetendo a elas o critério de julgamento. A análise dos argumentos permitiu a identificação de três dimensões da indisciplina presentes na concepção de professores, equipe técnica e alunos: a pedagógica ou técnico-pedagógica, a ética e moral e a individualista ou egocêntrica. Destas, a perspectiva ética e moral ganhou destaque no discurso desses agentes educativos, envolvendo dois aspectos particulares: o valorativo e o normativo respectivamente. De um modo geral, os resultados deste estudo evidenciaram a urgência de se definir e ensinar a respeitar códigos éticos e morais que permitam não apenas o bem-estar individual, mas, cima de tudo, o bem-estar coletivo. Este é um dos grandes desafios enfrentados pela escola hoje.
Tipo Defesa-Doutorado

APG 2.0
Copyright 2014 (c) UNESP - Faculdade de Ciências e Letras do Campus de Araraquara